sexta-feira, 25 de maio de 2012

Revista Veja desmascara farsa do secretário

Reprodução da revista Veja
Reprodução da revista Veja


Conforme podem ver abaixo, esse escândalo também foi noticiado em primeiríssima mão pelo nosso blog, no dia 4 de março de 2011, portanto há um ano e dois meses. Essa foi inclusive uma das primeiras denúncias que fiz na tribuna da Câmara dos Deputados, logo depois de assumir o meu mandato. Cobrei na tribuna como que Beltrame podia ganhar mais que o dobro de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Mas na época, a blindagem da mídia a Cabral e sua turma, fez com que nem uma linha tenha sido publicada, por nenhum veículo. Mas antes tarde do que nunca. O fato novo da matéria da Veja que vocês poderão ver mais abaixo e irei comentar em seguida são as alegações estapafúrdias da sua defesa que zombam da cara dos trabalhadores brasileiros. Vocês vão ver que é de estarrecer a cara de pau de Beltrame.


Reprodução do Blog do Garotinho (Clique na imagem para ampliar)
Reprodução do Blog do Garotinho (Clique na imagem para ampliar)


Pois bem, como mostra a Veja, na sua defesa, Beltrame alega que faz “sacrifício pessoal” no cargo; que é ovacionado pela população (esse argumento é um disparate) e que o salário ilegal acima do teto da lei se justifica no seu caso por “um reconhecimento à sua competência profissional”. Quanta modéstia! Quanta baboseira para tentar justificar o injustificável!

Assino embaixo, o texto da Veja quando diz: “O resumo da tese (de defesa) é o seguinte: como Beltrame trabalha muito e acumula responsabilidades, a lei que estabelece o teto para os ministros e para todos os servidores públicos não vale para ele”.

E é bom frisar como mostra a Veja e eu cheguei a exibir os contracheques aqui no blog, houve mês em que Beltrame chegou a receber R$ 60 mil reais. Isso é que é uma ovação! Mas, leiam o restante da matéria e vejam que além de ter se apropriado ilegalmente de pelo menos R$ 400 mil reais em salários indevidos, conforme a denúncia feita no blog há mais de um ano, Beltrame ainda debocha da cara de cada um de nós.


Reprodução da Veja
BLOG DO GAROTINHO

sexta-feira, 11 de maio de 2012

PM do Rio estuda fazer ingresso único para soldados e oficiais


 Acesso ao oficialato seria apenas por prova interna, após período no posto mais baixo da hierarquia. Hoje há duas escolas de formação distintas







Foto: Raphael Gomide Recrutas da PM no Centro de Formação de Soldados. Pelo modelo estudado, futuros oficiais terão de ser praças antes

A  Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro estuda inovar no sistema de ingresso de soldados e oficiais na corporação e implantar o acesso único para oficiais e praças. Assim, todos os policiais precisarão primeiro ser soldados para poderem concorrer a uma vaga no Curso de Formação de Oficiais (CFO). O projeto está em estudo há cerca de três meses por uma comissão formada de coronéis e tenentes-coronéis da PM, nomeada pelo comando da corporação.

Leia também: Falta de recrutas gera "boom" de cursinhos preparatórios para a PM







Foto: Marino Azevedo Policiais recém-formados na UPP da Mangueira

Pela nova forma de acesso, a prova inicial para entrar na PM será para soldado, patente mais baixa da hierarquia militar, e o único acesso possível ao oficialato seria por meio de um concurso interno, após tempo ainda (possivelmente três ou cinco anos). Seria criada uma regra de transição para adequar o novo modelo aos atuais oficiais e praças. Leia mais: UPPs, aumento de salário e bolsa federal atraem candidatos a PM
Uma vantagem seria que todos os futuros oficiais terão antes passado pela atividade de ponta da corporação. Aprenderiam na prática o lema impresso no prédio principal da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), escola de formação de oficiais do Exército: “Cadetes! Ides comandar, aprendei a obedecer”.
Leia mais: Falta de policiais militares é calcanhar-de-aquiles de UPPs
Como consequência do atual grupo de estudo, o concurso de 2012 para oficiais da PM foi suspenso em março, como mostrou nota do Poder Online , e não fará parte do vestibular da Uerj neste ano.
Desde 1920, os alunos passam por três anos de formação em regime de semi-internato, para se formarem como aspirantes a oficial. Os postos do oficialato são, pela ordem crescente, aspirante a oficial, segundo-tenente, primeiro-tenente, capitão, major, tenente-coronel e coronel; os praças são soldado, cabo, terceiro-sargento, segundo-sargento, primeiro-sargento e subtenente.
Temor de crise no oficialato e desestímulo no Corpo de Alunos atual







Foto: iG São Paulo Pela entrada única, só os soldados poderiam se tornar oficiais, por concurso interno

A nova forma de ingresso na PM seria inovadora nas polícias brasileiras, que seguem o modelo das Forças Armadas – de escolas de formação distintas para oficiais responsáveis por comandar e pela parte estratégica) e praças (executores, parte tática). A avaliação interna e temor dos próprios integrantes da comissão de estudo é que a nova forma de acesso gere tensões e crise no oficialato – principalmente entre os mais jovens – de uma instituição militar, que prima pela hierarquia e disciplina. Outra preocupação é não desestimular o atual Corpo de Alunos, que entrou pela regra antiga.
Atualmente, 331 alunos estão no Curso de Formação de Oficiais da PM do Rio (64 no primeiro ano, 168 no segundo e 99 no terceiro). Há 44.047 policiais na força, e a meta é chegar a 60 mil profissionais em 2016. Em 2011, houve 11 formaturas, somando 4.190 soldados; em 2012, já foram 2.170 novos PMs incorporados.
Missão “extremamente desafiadora”







Foto: Eduardo Naddar / Agência O Globo Comandante-geral da PM, coronel Costa Filho cumprimenta PMs do Batalhão de Choque, após a prisão de Nem da Rocinha

Na opinião de um oficial superior da comissão empolgado com as perspectivas, a missão é “extremamente desafiadora” e seu resultado poderia levar até o próprio Exército Brasileiro a repensar o seu modo de admissão e questionar se ainda faz sentido a divisão de escolas de formação (no caso do Exército com a Aman e a Escola de Sargentos das Armas). De acordo com um dos oficiais que integram a comissão de estudo e implantação do novo acesso, o sistema se assemelharia ao da Alemanha e ao de Nova York – onde é preciso ter cursado faculdade ou ter dois anos de serviço ativo nas Forças Armadas e Ensino Médio.
Um ponto que está sendo estudado é se a corporação passará a exigir graduação em nível superior dos candidatos a soldado para ingressar na PM – assim como a Polícia Civil faz. A academia de oficiais é atualmente um curso considerado de nível superior, que não exige formação além do nível médio para entrada.
Uma consequência do novo modelo estudado, seria a formação de oficiais mais velhos que os atuais cadetes, que podem entrar na PM a partir de 18 anos, logo após completarem o Ensino Médio e prestarem concurso de vestibular.

domingo, 22 de abril de 2012

Comissão da segurança pública pede exoneração de comandantes




De Brasília - Vinícius Tavares


Membros da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados pedem a exoneração dos comandantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro pela coduta em relação às prisões de policiais militares e bombeiros detidos durante a paralisação da categoria, ocorrida em fevereiro no Rio e na Bahia.

O pedido foi feito pelos deputados cabo Juliano Rabelo (PSB-MT), Protógenes Queiróz (PSol-SP) e pelo também federal Mendonça Prado (PP-SP). Eles denunciaram a cúpula da corporação no Minstério Público e pedem investigação sobre suspeita de maus tratos aos servidores detidos.

"Estivemos no Rio de Janeiro e em Salvador na semana passada para colher relatos. É uma situação absurda. Os advogados de defesa e as famílias não tiveram acesso aos policiais presos. Eles ficaram presos junto com marginais no presídio de Bangu 1. A conduta destes comandantes foi totalmente autoritária", destacou Rabelo.

Segundo ele, o relatório com informações sobre as denúncias foi entregue à Comissão de Segurança Pública da Câmara e cópias também chegaram ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao MP. 

"Os comandantes estão sendo denunciados no Ministério Público por abuso de autoridade e detenção de servidores sem mandado", acrescentou o parlamentar suplente, que encerrou nesta semana seus quatro meses de mandato em lugar do titular Valtenir Pereira.


Atualizada às 09h55

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A CRISE CONSTANTE DA SEGURANÇA PÚBLICA... - 04/04/2012


Fonte : Folha de São Paulo
Encerrada a fase aguda que culminou nas greves de policiais antes do Carnaval, na Bahia e no Rio de Janeiro, o Brasil retoma a prática política de esquecimento dos problemas da segurança pública, relegando à própria sorte a população e as polícias, que continuam imersas em um cenário de intensas disputas políticas e institucionais.

Mas isso não acontece sem consequências ou custos!

Em termos econômicos, o Brasil gastou, em 2010, de acordo com o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aproximadamente R$ 50 bilhões apenas com segurança pública. Esse valor significa algo como 1,4% do nosso PIB e quase 9% do total de impostos arrecadados por municípios, Estados, Distrito Federal e União.

Ou seja, nosso sistema é caro, ineficiente, capacita e paga mal os profissionais encarregados de manter a ordem democrática e de garantir direitos da população.

Convivemos com taxas altas de criminalidade, de letalidade e vitimização policial. Há excesso de burocracia e não conseguimos oferecer serviços de qualidade ou reduzir a insegurança.
No plano da gestão, paradoxalmente, várias iniciativas têm sido tentadas ao longo dos últimos anos: sistemas de informação, integração das polícias estaduais, modernização tecnológica, mudança no currículo de ensino policial, investimentos em novos equipamentos.

Elas dão sobrevida a um modelo na UTI, mas não atingem o cerne do problema, que é, sem meias palavras, político.

Por exemplo: o Congresso há quase 25 anos tem dificuldades para fazer avançar uma agenda de reformas imposta pela Constituição de 1988. Até hoje existem diversos artigos sem a devida regulação, abrindo margem para enormes zonas de sombra e insegurança jurídica.

Para a segurança pública, o efeito dessa postura pode ser constatado na não regulamentação do artigo 23 da Constituição, que trata das atribuições concorrentes entre os entes, ou do parágrafo 7º do artigo 144, que dispõe sobre os mandatos e atribuições das instituições encarregadas em prover segurança pública.
A ausência de regras que regulamentem as funções e o relacionamento das polícias federais e estaduais, e mesmo das polícias civis e militares, produz no Brasil um quadro de diversos ordenamentos para a solução de problemas similares de segurança e violência. Enquanto isso, não há grandes avanços em boa parte do território nacional.

Não é surpresa, portanto, que o debate sobre segurança pública fique restrito à conquista de melhores salários pelos policiais e tipificação ou agravamento de crimes.

O Congresso não nos disse o que devem fazer as polícias brasileiras.
Falta um projeto político que seja capaz de superar os corporativismos e pensar na polícia que o Brasil, moderno e democrático, precisa.

O argumento de que a Constituição impede reformas substantivas não se sustenta. Há, com isso, um grande espaço de reformas legislativas que poderia ser percorrido se houvesse vontade política e mobilização social para a urgência de uma ampla revisão de normas, processos e leis anacrônicas que regulam esta área no Brasil.

Nosso drama é que, no pragmatismo reducionista da política brasileira, fica em aberto a pergunta sobre quem terá a disposição e a coragem política de liderar um vigoroso processo de reformas sem que uma crise dispare os alertas e as bandeiras eleitorais. É um problema de todos, mas não é assumido como responsabilidade política por ninguém.

RENATO SÉRGIO DE LIMA,

domingo, 8 de abril de 2012

Ex-comandante da PM-RJ defende coronel preso por morte de juíza


Mário Sérgio Duarte concede a primeira entrevista após deixar o cargo.
'Renúncia' ocorreu após envolvimento de policiais com caso Patrícia Acioli.

Seis meses após deixar o comando da Polícia Militar do Rio devido à prisão de policiais acusados de matar a juíza Patrícia Acioli, o coronel Mário Sérgio Duarte defende o oficial apontado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil como o mandante do assassinato e que era seu subordinado na época.

Em sua primeira entrevista após o episódio, Duarte diz ao G1 que não vê no processo provas contra o tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira, e admite ter sido decisão sua tirar os homens que atuavam como seguranças de Patrícia.

Foi a prisão de Oliveira – na época chefe do batalhão de São Gonçalo e hoje em uma penitenciária federal - que fez Duarte deixar o cargo. A juíza combatia milícias e grupos de extermínio na Baixada Fluminense, determinando a prisão de PMs ligados ao tenente-coronel acusados de assassinatos e de ficar com o espólio do tráfico. Para o advogado da família de Acioli, Oliveira "desejava a morte da juíza", com quem tinha uma “rixa antiga” após ser processado por ela por abuso de autoridade em 1989.
“Eu saí da PM com a crença de que, de fato, havia provas robustas contra o Cláudio [Oliveira] e entreguei o meu cargo. Foi um gesto de renúncia. Agora, após conhecer o processo, concluo da sua inocência”, afirma Mário Sérgio ao G1. “Muito se falou sobre a juíza estar investigando o coronel e o batalhão dele, mas juízes julgam, não investigam", declara.
O ex-comandante usa o argumento da falta de provas contra o subordinado para defender que, se tivesse na época o conhecimento que tem agora sobre o caso, “não teria pedido para sair”. Ao enviar ao secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, a carta de demissão, logo após a prisão de Oliveira, ele estava internado para uma cirurgia.
“Não consigo encontrar provas. A prisão do Cláudio se fundamenta na delação premiada de dois cabos. Um deles diz que o assassinato foi planejado com o tenente depois que ambos tiveram a prisão decretada pela juíza. O cabo diz que ouviu do tenente, que ele teria ouvido do coronel orientações para o crime e palavras de assentimento. Num caso assim é elementar uma acareação, o que não houve”, diz Duarte.
O ex-comandante se refere ao tenente Daniel Benitez e aos cabos Jefferson de Araújo Miranda e Sérgio Costa Júnior, flagrados por câmeras de segurança do condomínio onde a juíza morava no local no dia do crime e apontados como executores do assassinato.
 

Documento mostra pedido de Patricia para
que seguranças ficassem a sua disposição
À caneta (à direita), Cláudio autoriza: 'Ao P/1
para providenciar em caráter temporário
em virtude de excepcionalidade'
(Foto: Alexandre Durão/G1)

Foi o cabo Miranda quem delatou em depoimento à Polícia Civil que Oliveira mandou os subordinados matarem Acioli. Já na Justiça, ele mudou a versão, negando ter envolvido o tenente-coronel. O cabo Júnior mantém a posição de suspeita sobre o tenente-coronel, mas sem acusá-lo como mandante.
Além do depoimento dos dois cabos, que acusaram o tenente-coronel de ter indiretamente orientado a execução e também de ficar com o espólio do tráfico e acobertar execuções cometidas na unidade, a prisão de Oliveira está fundamentada, segundo o decreto judicial, no depoimento de familiares da juíza, que afirmam que os dois tinham um desentendimento antigo desde que ela foi presa durante um jogo de futebol em 1989.
O comando de Mário Sérgio ficou conhecido pelo sucesso na política de implantação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Rio, combatendo traficantes e a milícia. Ele enfrentou momentos difíceis na segurança pública do estado, como a greve dos bombeiros, em que teve que mandar o Bope invadir um quartel dominado pelos rebelados, e a derrubada, por criminosos, de um helicóptero da PM, provocando a morte de dois de seus homens.

Animado, Mário Sérgio prepara agora o que chama de “reinserção na vida pública”. Em casa, escreve dois livros – um sobre liderança e outro sobre a conquista do Complexo do Alemão, que chefiou pessoalmente e que considera como sua grande realização na corporação, "a missão cumprida". Além disso, retomará o trabalho na área que domina.

“Estou me dedicando à família e ao projeto da Secretaria de Políticas Públicas de Segurança em Três Rios (cidade de 77 mil a 125 km do Rio de Janeiro), que vou assumir”, descreve.

Juíza Patrícia Acioli foi assassinada na porta de casa
em Niterói. (Foto: Reprodução / TV Globo)

Sem mandante?
Sobre a morte da juíza Patrícia Acioli, Mário Sérgio aponta diversos fatores que podem ter interferido no assassinato.

"Foi uma ação cruel, covarde, sem chances de defesa da vítima. Mas várias pessoas não gostavam dela, não sei que motivos poderiam ter, talvez vingança. O tenente e o cabo tiveram a prisão decretada por ela no dia anterior. Por que é que precisa ter um mandante?", diz.

Ele, porém, diz que "não se arrepende" de ter deixado o cargo. "Aquele era um gesto moral que entendi como absolutamente necessário na ocasião. No hospital, as informações que me chegavam eram de que havia provas do envolvimento do Oliveira no assassinato e eu não podia permitir que a responsabilização por meus atos respingasse em outras pessoas. Mas, hoje, a conclusão que tenho é diferente. Se tivesse o conhecimento que tenho agora sobre o que houve, não pediria para sair”, desabafa.

"Fui eu quem escolheu cada comandante de unidade. Fui eu quem tirou o Cláudio Oliveira da área administrativa e colocou no batalhão de São Gonçalo, onde estava conseguindo reduzir os índices criminais e a guerra entre facções. Ele tem uma experiência operacional grande”, defende Duarte.

Os dois se conheciam desde que fizeram juntos o curso do Batalhão de Operações Policiais (Bope) em 1989. O destino fez que a carreira dos dois tomasse rumos diferentes e que o ex-colega "caveira" viesse a ser subordinado a Duarte em 2009, quando assumiu a corporação. “Eu tinha um relacionamento com o Cláudio igual ao de outros comandantes de batalhão, mas sempre tive uma preocupação maior com a área dele porque sou filho de São Gonçalo, frequento a igreja lá, minha filha mora lá, servi como capitão e como major naquele batalhão. Tenho uma ligação maior com a área”, relembra.

Duarte admite ter sido ele que, como comandante-geral, retirou os homens que atuavam na segurança de Accioli. “A juíza não tinha escolta, eles não atuavam como escolta dela, estavam à disposição da vara, em plantão diferenciado. Foi o próprio coronel Cláudio, como comandante do batalhão da área, que concedeu porque ela fez um pedido solicitando os PMs extras. Ele (o coronel Cláudio) deu e eu tirei porque estavam irregulares, fora do convênio que a PM tem com o Tribunal de Justiça. Ela deveria ter pedido ao TJ-RJ os policiais, e não à PM. Outros juízes no passado já tinham feito isso e as irregularidades também foram sanadas”, relembra o ex-comandante.

Defesa x Acusação
Os advogados dos 11 PMs acusados pela morte da juíza interpuseram diversos recursos tentando transferi-los de prisão e modificar a sentença que decidiu submetê-los ao Tribunal do Júri de Niterói. A posição da defesa dos acusados diverge da família da vítima, que vê o caso como premeditado e com a participação ativa de todos os envolvidos.

O MP diz que Oliveira prestou “auxílio moral à execução” quando, ao ter conhecimento da ideia do tenente de matar Patricia, além de “omitir-se”, “instigou e estimulou-o" na ação, afirmando que “seria um favor” que o subordinado lhe faria se acabasse com a juíza. O consentimento do superior foi denunciado pelo cabo da PM Jeferson de Araujo, também preso por participar do crime. Já o tenente e o cabo Sérgio Júnior são acusados de planejar e executar a emboscada.
Carro da juíza Patrícia Lourival Acioli foi alvejado por
tiros (Foto: Bruno Gonzalez / Agência O Globo)

Oliveira na época comandava o 7º Batalhão da PM (São Gonçalo), área em que a juíza buscava reprimir grupos de extermínio e ações policiais ilegais. O tenente Benitez era subordinado direto de Oliveira, chefiando o GAT (Grupo de Ações Táticas) da unidade e trabalhando com os cabos Araujo e Sérgio.

Na véspera de ser assassinada, Acioli havia decretado a prisão dos três por uma morte em que eles teriam forjado uma falsa resistência de um suspeito.

"Rivalidade antiga"
“Esse tenente-coronel tinha uma rixa há mais de 20 anos com a Patrícia. Ele a prendeu durante uma confusão no Maracanã durante uma partida de Brasil e Chile. A Patricia nem era juíza na época e o Cláudio era tenente. Ele foi processado por ela por abuso de autoridade e condenado em primeira instância. Desde então, ele tem mais de 10 processos na carreira. O primeiro foi pela Patrícia e o último também, em que é acusado pela morte da Patrícia”, acusa o advogado da família Acioli, Tecio Lins e Silva.

Ele concorda em partes com a visão do ex-comandante da PM do Rio, coronel Mário Sérgio Duarte, sobre falta de provas. “Prova de que ele mandou matar ou ele dando a ordem ou participando da execução não tem”, diz. “Mas os PMs que executaram eram da confiança dele, o tenente falava com o Cláudio diariamente, várias vezes ao dia, e era o seu braço direito. Todo mundo sabia que a Patrícia investigava os crimes e a corrupção no batalhão. Ela tinha prendido vários PMs da unidade e ia acabar chegando nele (no tenente-coronel)”, defende o defensor da família.
Manuel de Jesus Soares, advogado do tenente-coronel Oliveira, acredita que seu cliente foi preso apenas por “questões políticas” e “porque ele era o comandante dos PMs” acusados. “Entrei com recurso no TJ-RJ contra a pronúncia, devido à inexistência de provas, e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para a transferência dele para o Rio. A prisão preventiva dele não tem fundamento jurídico e nem necessidade”, defende.
Ordem para a execução
O defensor público Jorge Alexandre que defende o cabo Sérgio, o único que mantém até então a delação premiada e é réu confesso do crime, admite que não tem provas “efetivas” de que o tenente-coronel Cláudio deu a ordem para a execução.

“Meu cliente dá a entender que o Cláudio sabia, mas provas efetivas não têm. Há provas circunstâncias que levam a crer ou a entender que o coronel soubesse, mas não que ele tenha ordenado”, diz. “O único que deu detalhes de que o coronel sabia e orientou foi o cabo Jeferson, mas que depois voltou atrás na Justiça e disse ter sido obrigado pelos policiais a assinar a confissão”, acrescenta o defensor.
“Há uma delação premiada que ele assinou na delegacia, mas diz que foi coagido a isso e mudou em juízo, negando que tenha dito isso. O Jeferson diz que ouviu dos policiais que, se não assinasse, seria transferido para um presídio, e hoje está em Bangu 1, que é um presídio de alta periculosidade e correndo risco de vida”, diz a advogada do cabo Araujo, Andrea Perazoli.
“O Jeferson nega o crime e falou em juízo que não sabe de nenhum envolvimento do tenente-coronel Cláudio nisso, que mandaram ele falar (que havia)”, acrescenta Andrea, que pediu a transferência do praça para a penitenciária da PM, onde teria maior segurança.
Já a defesa do tenente Benitez afirma que ele “só falará no plenário do júri”. “Ele nega qualquer tipo de participação e desconhece a participação de outras pessoas, tampouco fala sobre o Cláudio. Meu cliente desconhece e refuta todas as acusações feitas pelos cabos na delação premiada”, diz o advogado Zoser Hardman.
G1 questionou o Tribunal de Justiça do Rio sobre a fundamentação da prisão e foi informada que o juiz Fábio Uchôa, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, e que decretou as prisões, será responsável pelo júri e não pode se manifestar sobre o caso.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Corpo de cabo da PM morto na Rocinha é sepultado


RIO - Cerca de 300 pessoas, entre elas familiares, amigos e policiais militares, acompanharam, na manhã desta quinta-feira, o enterro do cabo Rodrigo Alves Cavalcante, de 33 anos, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Norte da cidade. Ele foi morto na madrugada de quarta-feira na Rocinha, após ser baleado quando fazia patrulhamento a pé no alto da comunidade com outros sete policiais. Ele foi a nona vítima na favela desde fevereiro e o primeiro policial assassinado em uma comunidade pacificada. O comandante da Polícia Militar, Erir Costa Filho, esteve no cemitério e, na sua avaliação, a morte do policial foi uma fatalidade. O comandante disse ainda que não haverá recuo na política de segurança pública de pacificar as comunidade:
- Eu peço à comunidade que confie na PM e passe informações para nos ajudar a dar liberdade para a Rocinha. Não haverá meio termo. Vamos continuar com a política de segurança pública do governo do estado, que é dar paz ao nosso Rio de Janeiro.
Muito emocionado, o cabo reformado da PM Osaibe Cavalcante, pai do policial assassinado e que já teve dois outros filhos mortos pela violência, desabafou, mais uma vez, que um pai está preparado para ser enterrado pelo filhos e não ao contrário:
- Essa nossa justiça é podre. Vagabundo (sic) mata e quando chega na delegacia tem até quatro advogados para defendê-lo. E imediatamente é posto em liberdade. Agora, quando acusam um policial, a polícia cai em cima dele e decretam logo a prisão.
O cabo da PM foi sepultado com honras militares. Segundo amigos, Rodrigo era um bom filho, sem vícios e, vascaíno, gostava de futebol. Divorciado, deixou uma filha de 11 anos.
Na tarde de quarta-feira, o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, disse em entrevista coletiva na sede da Secretaria de Segurança, na Central do Brasil, que apesar das recentes mortes na Favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio, ele "não vai se afastar um milímetro do programa das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora)".
COMENTÁRIO:
Desejamos a família do PM nossas condolências e o reconhecimento do esforço deste verdadeiro "HEROI " embora seja tão valorizado pelo GOVERNADOR DO RJ E A PRÓPRIA INSTITUIÇÃO PMERJ.
 Afinal é somente mais um sol que nasce no céu para a literatura e mais um número para a estatísticas do GOVERNO.

COMISSÃO DE SEGURANÇA PÚBLICA VEM AO RJ DIA 29/03 PARA INVESTIGAR ILEGALIDADES E EXCESSOS COMETIDOS PELO GOVERNO CONTRA BOMBEIROS E PMs GREVISTAS.